O cenário econômico mais favorável impulsionou o acesso ao ensino superior nos últimos anos. Atualmente, mais de 800 mil jovens se formam a cada ano em cerca de 21 mil cursos diferentes oferecidos por mais de 2 mil universidades, faculdades e centros universitários públicos e privados no país. Mas será que as instituições realmente preparam os estudantes para o mercado de trabalho?
A consultoria Trabalhando.com Brasil, subsidiária brasileira da empresa chilena Trabajando.com, realizou uma pesquisa com 300 estudantes para saber como os jovens se sentem em relação ao tema e descobriu que 45% deles não se sentem preparados para enfrentar o mercado de trabalho. Desses, 28% acreditam que sua instituição de ensino não os prepara para o ambiente profissional e 19% dizem que seu curso é totalmente voltado para a área acadêmica.
Os 55% restantes estão satisfeitos e sentem-se seguros: 36% afirmam que dentro da sua grade curricular estão incluídas aulas práticas e teóricas com foco em carreira e na sua área de atuação e 19% acreditam estar preparados graças a atividades extracurriculares como palestras, cursos e seminários promovidos pela instituição.
Segundo o diretor-geral da Trabalhando.com Brasil, Renato Grinberg, os números confirmam o que é observado no dia a dia. “Quando realizamos processos seletivos para estágio ou trainee observamos que a maioria dos candidatos não tem a menor noção da rotina de um ambiente profissional. Muitos têm a teoria na ponta da língua e se saem bem na entrevista, mas quando contratados não sabem como agir ou se comportar.”
Grinberg destacou ainda que outro problema frequente é a displicência de muitos jovens dentro de uma corporação. “Não quero generalizar, mas parte deles não tem características básicas para se dar bem no trabalho, entre elas posso destacar pontualidade e respeito à hierarquia.”
O superintendente de operações do CIEE (Centro de Integração Escola-Empresa), Eduardo de Oliveira, a escola tem uma visão mais técnica e o estágio é que acaba fazendo o papel de “ponte entre o mundo do saber e o de fazer”. “O estágio é fundamental para fazer a integração, para o aluno ter o espaço para praticar o que aprende.”
“O estágio é o grande responsável por incluir o estudante no mercado de trabalho, tanto que o índice de efetivação é grande. Uma pesquisa do instituto InterScience mostrou que 64% dos ex-estagiários são efetivados e esse número só não é maior porque muitos fazem estágio em empresas públicas, que exigem concurso para as vagas fixas”, disse Oliveira.
O período de estágio, na avaliação do superintendente, é o momento para o aluno sentir se é aquela carreira que ele realmente quer seguir. “É importante que ele comece a fazer estágio desde o início do curso, já no primeiro semestre. Os programas podem ter a complexidade aumentada à medida em que ele passa a ter mais conhecimentos técnicos. Isso é fundamental para o estudante conhecer o ambiente corporativo, que é diferente do ambiente em casa e dos ambiente com os colegas.”
O estudante de Ciências da Computação Aílton Rodrigues Júnior, 19, contou que o estágio que fez quando cursava o 2º ano da faculdade foi determinante. “Considero o embasamento que o curso dá muito bom, mas a prática é sempre diferente. Só no dia a dia a gente se depara com situações mais inesperadas e aprende a se relacionar com os colegas, os superiores e os problemas de uma empresa.”
Para o diretor-geral da Trabalhando.com, o preparo dos estudantes para enfrentar o cada vez mais competitivo mundo corporativo começa no ensino fundamental e deveria continuar até a graduação, o que nem sempre acontece. Para quem quer se preparar melhor, ele dá as seguintes dicas: participar de grupos de discussão de temas ligados à carreira, aproveitar as atividades extracurriculares que as instituições oferecem, atuar como voluntário em instituições que trabalhem na sua área de estudo, participar de palestras e feiras que abordem temas ligados à área que deseja atuar e conversar com profissionais que já têm experiência na área.
Fonte: AmericaEconomia
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