No Debate FINEP realizado nesta terça-feira (27/9), na sede da Financiadora, no Rio, o foco foram as discussões sobre as inovações e os desafios na área de Segurança Pública. Os palestrantes convidados – Clênio Belluco e Sara Rahal, diretor e perita do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal (INC), Zeca Borges e Edson Calil, presidente e diretor do Instituto Brasileiro de Combate ao Crime (IBCC), organização idealizadora do Disque-Denúncia – falaram da importância da tecnologia no setor, além do valor da capacitação de pessoal especializado.
Edson Calil falou da transformação do Disque-Denúncia após o apoio da FINEP, que contribuiu para a modernização de computadores, servidores e software do serviço. “Dizemos que nossa história é dividida em dois períodos – AD e DF – antes e depois da FINEP”, disse Calil. Ele afirmou ainda que é necessário investir em inteligência e capacitação, já que “a tecnologia de ponta é essencial para o trabalho de investigação, mas sem investir em recursos humanos, não se vai muito longe”, disse.Zeca Borges, presidente do IBCC, contou como funciona a parceria que viabiliza o Disque-Denúncia. “É uma colaboração estreita entre o IBCC, a Secretaria de Seguranda do Estado do Rio, a imprensa, a polícia e a população que movem o serviço”, disse. Borges também falou sobre recompensas oferecidas a quem denuncia e a premiação concedida a policiais que se destacam, desde que “não estejam envolvidos em operações violentas”. Desde 1995, época de sua criação, o Disque-Denúncia distribuiu cerca de R$ 200 mil em recompensas, valor baixo, segundo Borges. “Muitas pessoas não aparecem para pegar a recompensa, porque o que as move é mesmo a indignação”, explica. Todas as denúncias dirigidas ao serviço são protegidas por anonimato.
Os representantes do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal (INC) falaram de técnicas e equipamentos sofisticados utilizados em diversas áreas, desde a identificação de ossadas até a análise de documentos, passando por estudos de balística, de acidentes e de genética forense. O INC conta hoje com 1.092 peritos no País, divididos em 54 unidades, que produzem cerca de 52 mil laudos por ano.
Ambas as instituições já receberam apoio da FINEP para seus projetos de inovação. O Programa de Ciência e Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, desenvolvido no INC, em Brasília (DF), visa a apoiar e fomentar projetos de pesquisa, desenvolvimento de novas tecnologias, inovação e capacitação no campo das ciências forenses (análise científica das evidências de um crime). Em 2008, foi feita uma parceria com a Financiadora no valor de R$ 4,5 milhões, para aplicação em seis áreas: análises químicas, mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica. Com este aporte, a Polícia Federal espera uma atuação uniforme entre instituições federais e estaduais de combate ao crime.
Já o Disque Denúncia, criado em 1995, recebeu R$ 335 mil da FINEP em 2006 para a modernização de seu parque tecnológico. Em 2010, o serviço também contou com um um aporte de R$ 744 mil para a criação da estrutura operacional de mecanismo de apoio à gestão na área de segurança pública, no Estado do Rio de Janeiro. O projeto foi baseado no conceito de Sala de Situação, vinculado, pelo acesso comum a um conjunto de bancos de dados, às ações operacionais do Disque-Denúncia dos estados onde este mantém bases operacionais.
O objetivo da série Debate FINEP é criar um espaço aberto e permanente de debate entre a Financiadora de Estudos e Projetos e a sociedade, para subsidiar a construção de ações de apoio à inovação de forma democrática, transparente e eficiente. Participam dos debates interlocutores internos e externos à FINEP, que contribuam para o acúmulo de conhecimento sobre políticas de fomento a C,T&I – Ciência, Tecnologia e Inovação.
Fonte: Finep
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